SÃO LUÍS - Um crime está sendo anunciado com freqüência, no Brasil, mas muitas vezes sem que as pessoas se dêem conta disso. São muitas mulheres que se oferecem no mercado ilegal da barriga de aluguel. O comercio clandestino, virtual e muito rentável avança na Internet fora do alcance da lei. No tempo de cliques no mouse, mulheres negociam o aluguel do útero em fóruns e comunidades para quem não pode ter filhos. Os valores dos contratos de gestação chegam de R$ 30 a R$ 400 mil e são fechados por e-mail; os encontros, marcados por telefone.
No Maranhão este tipo de atividade começa a ganhar território nos sites de internet. A reportagem do Portal Zill registra trecho de uma 'negociação' se passando por um cliente. Vale ressaltar: 'Barriga de aluguel' não é crime no Brasil. Não está prevista no Código Penal Brasileiro, mas médicos que desrespeitam as normas do procedimento podem ser punidos pelo Conselho Federal de Medicina.
Além disso, mulheres que falsificam documentos apresentados no hospital e nos cartórios podem parar na cadeia. Está em estudo no Congresso Nacional o projeto de lei que torna crime a barriga de aluguel. O comércio de órgãos, no caso do útero para gestação de filhos dos outros, é ilegal no nosso país, mas o fato de não constar no Código Penal Brasileiro abre brecha para que seja feito e anunciado livremente na internet, como denuncia agora o Maior Portal do Maranhão.
CONHEÇA O CASO
Em busca de dinheiro fácil, duas mulheres de São Luís oferecem serviços de 'barriga de aluguel' em um site na Internet, o Guis(www.guis.com.br/barriga-de-aluguel). Em contato por e-mail, uma delas se identificou como moradora do bairro da Cohab, e a outra disse que mora no bairro Anjo da Guarda. Nos diálogos virtuais, elas prometem sigilo absoluto e oferecem facilidades como o parcelamento do aluguel da barriga em até três vezes: a primeira parcela na confirmação da gravidez, a segunda no quinto mês de gestação, quando normalmente a contratada mostra ultrassonografias do bebê, e a última na entrega do neném. Uma das candidatas a mães de aluguel aceitam até ter relações sexuais para engravidar de pessoas estranhas, sem ter que recorrer a clínicas de fertilização.
O valor cobrado para gerar um bebê pode variar entre R$ 30 mil a até R$ 400 mil, sem incluir despesas médicas durante a gestação. Elas se descrevem como "bonitas, loiras, olhos verdes, gozam de boa saúde". Elas cedem telefone para contato, valores e até o endereço para contato.
O QUE ELAS DIZEM
As mulheres não se identificam, mas relatam como é feita a negociação para serviços de barriga de aluguel. A reportagem do Portal ZIll se passou por um cliente e perguntou a uma das 'mães de barriga de aluguel' como funciona. Ela revela inclusive que é feito por inseminação artificial ao lado do seu marido, que tem conhecimento de tudo. "Faço (o serviço de barriga de aluguel) por R$ 30 mil. Se você quiser, posso negociar assim: você me dá R$ 15 mil antes do nascimento do bebê. Faço a inseminação em uma clínica de São Luís (ela não revelou qual o nome) e você aguarda o bebê como se fosse seu. Depois do nascimento, você me dá o restante (os outros R$ 15 mil. Esse valor não conta a inseminação, procedimentos cirúrgicos e etc, que podem chegar a R$ 300 mil). Não se preocupe que sou bastante discreta e sigilosa", disse uma das mulheres, que se identifica como uma mulher de 25 anos, que se identificou só como Leila.
ESTATÍSTICAS DOS CASOS
Não há estatísticas oficiais, mas sites de relacionamento como o Orkut chegam a reunir centenas de pessoas. Em apenas um fórum existem oito tópicos com mais de 800 mensagens. Durante duas semanas, uma equipe de Portal monitorou as transações on-line. Neste período, foram realizados encontros com algumas dessas mulheres dispostas a gerar um filho por dinheiro. O primeiro deles foi num shopping da Capital.
Na conversa com equipe do Zill, a candidata a ‘mãe de aluguel’ deixa claro que não sabe se o que está fazendo é ilegal. “Eu não sei se é crime. Mas ninguém está vendendo órgão. Para mim vai ser bom, para você vai ser bom, então é o que importa”, diz ela.
CONFIRA ABAIXO OS ANÚNCIOS EM SITE DA INTERNET
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VITRINE VIRTUAL
Na vitrine virtual do mercado de barriga de aluguel, leva vantagem quem oferece mais atributos físicos. Expondo-se como um produto numa prateleira, mulheres gastam adjetivos para seduzir os clientes. “Sou saudável, branca, cabelos escuros, olhos castanhos claros. Tenho dois filhos lindos e cheios de saúde. Preciso alugar a barriga por motivos financeiros, pois estou muito endividada e passando por sérias dificuldades financeiras”, relata.
PROCURA PELO SERVIÇO
Em outro anúncio on-line, um casal do Município de Nova Iorque do Maranhão divulgou seu interesse pelo serviço de “barriga de aluguel”. De acordo com o anúncio, eles procuram uma mulher de 20 a 30 anos, alta, ótima aparência e sem nenhuma doença, (com ótima saúde). O casal diz ainda no anúncio, que as candidatas a ‘barriga de aluguel’ precisam ter visto para os Estados Unidos.
É o nosso Maranhão.
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